sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Presos do lado de fora e dentro de nós mesmos


O crescimento da violência não é surpresa para ninguém. Esse problema social tem tomado todos os dias, grande espaço na mídia e em nossas conversas... Comentada, mas não discutida, a violência ta aí e levou o Recife ao 1º lugar no ranking das capitais mais violentas do País em 2008, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Justiça e divulgada no dia 29 de janeiro do mesmo ano.

O que a sociedade está fazendo para resolver esse problema tão complexo? Vamos tentar analisar três esferas importantes no combate à violência.

O que o Estado está fazendo?

Em Pernambuco, o atual governador, o Sr. Eduardo Campos, lançou, em junho de 2007, o ‘Pacto pela Vida’, programa que visa amenizar o problema da Segurança Pública. Foram investidos milhões na contratação de mais ‘homens’ para as polícias Militar e Civil, novas e modernas viaturas, enfim. Mas em quase dois anos de ‘Pacto pela Vida’ o que melhorou? De acordo com o blog PE Body Count, o ano de 2008 fechou com quase 4.600 pessoas mortas por violência em todo estado.

Acredito que a melhoria da segurança pública não será atingida somente com o aumento de policiais nas ruas, muitas vezes mal treinados e mal remunerados. Está mais do que provado que a coerção não é o melhor caminho, ou pelo menos não deve ser o único. Não podemos esquecer que a sociedade também precisa de uma boa educação, de um bom serviço de saúde, de emprego...

O que a mídia está fazendo?

A grande mídia tem ajudado as pessoas a se conformarem com esta situação. Mantendo-as num estado permanente de inércia, como se a violência na casa do vizinho, até que não atinja a minha, não me diz respeito. Além disso, programas, que dizem que é Jornalismo Policial, ajudam a consolidar estereótipos que alimentam indiretamente a violência. Por exemplo: Quando conhecemos alguém da comunidade ‘A’ que aquele famoso apresentador diz que lá o tráfico dominou tudo e só têm marginais, logo passamos a tratá-la com uma certa indiferença, e esta pessoa começa a se sentir à margem da sociedade, até que um dia ela vai começar a agir como tal, não é verdade?

Outra coisa, superficialidade no tratamento desse assunto. A imprensa existe para levar o cidadão a refletir sobre a sua sociedade a fim de mudá-la, mas isso não tem acontecido nem nos jornais impressos, que tem mais espaço e tempo para aprofundar os assuntos de interesse público. É uma lástima!

O que eu estou fazendo?

Um amigo meu diz que todos nós somos corruptos, sempre que ele diz isso penso no famoso “jeitinho brasileiro”. Queremos uma polícia ativa contra os outros, mas quando eu sou abordado por um soldado por estar cometendo um delito, por menor que seja, quero resolver isso logo “molhando a mão” do rapaz, afinal de contas eu num sou uma pessoa má, apenas vacilei! O outro não, ele é uma “alma sebosa” não merece perdão, é cadeia!

Precisamos fazer a nossa parte. Sejamos honestos e justos primeiramente conosco! Até porque as esferas da sociedade são um reflexo do indivíduo social, ou seja, eu! Aí poderemos cobrar e lutar pelos nossos direitos. Mudar a realidade social é uma dever meu, custe o que custar. Promover o melhor para o outro, é garantir o melhor pra mim. Não sejamos conformados! Não queiramos permanecer presos do lado de fora das penitenciárias.

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